Vícios de linguagem

Volta e meia surgem, entre os falantes de Língua Portuguesa, vícios de linguagem inexplicáveis, mas que se alastram epidemialmente. Decidi então escrever este artigo para abordar alguns destes vícios, a fim de evitar que estes se propaguem ainda mais.

Há x a

O atual é “daqui uns dias”, “daqui seis meses”, etc. Existe um tópico bem claro em Língua Portuguesa que é o confronto tempo decorrido x tempo futuro. E este é até bem fácil de se entender:

Usamos o verbo “haver” (impessoal) para definir tempo decorrido, ou seja, a distância entre o presente e o acontecimento.
Ex.: Nós chegamos dois dias. tempos não nos encontramos.

Usamos a preposição “a” (geralmente acompanhado de daqui, que indica o momento atual) para definir tempo futuro, ou seja, o tempo que falta para um acontecimento.
Ex.: Nos veremos daqui a duas horas. A colisão pode acontecer a qualquer momento.

É devido à existência deste confronto que podemos notar que está errado dizer “daqui duas horas”. Este erro pode ser encontrado, por exemplo, no comercial do Ford Fusion, quando os personagens dizem “onde você vai estar daqui seis anos?” Este é um daqueles eventos que, infelizmente, demonstram a falta de preocupação da mídia de hoje com a correção do nosso idioma.

Obs.: Vale lembrar que, ao falarmos de tempo decorrido, sendo o verbo haver impessoal, ele não se flexiona em número, apenas em tempo.
Ex.: Quando ele ligou, havia cinco anos que não nos falávamos. (ele ligou = passado, verbo haver no passado)

Repercutir

Este é presença certa em programas jornalísticos. O verbo, que significa, primariamente, a distribuição das ondas sonoras ao encontrarem um obstáculo, foi primeiramente usado de forma inteligente pelos próprios jornalistas: “A notícia repercutiu em todo o mundo.” Boa adaptação de uso de uma palavra.

Mas aí, não satisfeitos, os profissionais de mídia acabaram por inventar outro uso para esta, desviando-o totalmente do sentido original: “Vamos repercutir a notícia.” Seria muito mais fácil se simplesmente fosse dito “Vamos debater a notícia” ou, num uso aproximado, “Vamos debater a repercussão da notícia”.

São estes fatores que tornam nossa língua difícil de se compreender. A mudança que forçamos é artificial, e não natural, com o decorrer do tempo, como deveria ser.

Ligar em

Preposição é um elemento realmente complicado da nossa língua. Mas às vezes surgem fenômenos inexplicáveis, como o uso do verbo “ligar” (telefonar) acompanhado da preposição “em”. Uma coisa é o uso já consagrado desta preposição com o verbo chegar. Embora errado, é compreensível, já que um dos usos de “em” é para indicar lugar, e nós chegamos a algum lugar. Eu mesmo defendo que seja aceito tanto o uso de “chegar a” quanto de “chegar em”, como já acontece com outros verbos que aceitam múltiplas regências.

Agora, com o verbo ligar, esta adaptação já não funciona, pois podemos definir claramente a diferença entre “ligar em” e “ligar para”:

Vou ligar em casa. = quando chegar em casa eu ligo.
X
Vou ligar para casa. = Para o telefone da minha casa.

Notaram como é totalmente diferente o sentido?



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